Aula 2: Óleos Lubrificantes e Gasolina

Estou ficando revoltada comigo mesma!!! ¬¬’ Claro que sei que sou ainda totalmente noob em mecânica, mas estou bem pior do que imaginei rsrsrs muito a aprender ainda, acho que a Phione é uma sobrevivente na minha mão viu rsrs Maaasss vamos a segunda aula, tenho certeza que será útil para muitos 😉

Conteúdo:

  1. Lubrificação
  2. Combustíveis 

Importante: O conteúdo que estou escrevendo é com base no que entendi na aula de hoje do curso de mecânica na Radial Cursos , não é responsabilidade deles caso eu escreva algo errado, é até bom que me corrijam afinal conhecimento é sempre bem vindo :-) Mas se o post ficar bom… créditos pro professor Marco hein 😉

  1.  Lubrificação

A correta lubrificação do motor é fundamental para seu bom funcionamento, afinal o óleo forma uma película que evita o contato direto entre as peças, promovendo diminuição no atrito, e consequentemente, diminuição no desgaste das peças e no aquecimento do motor. Há pelo menos 4 tipos de óleos: O vegetal (soja, milho, azeite), o animal (banha, gordura), o mineral (restos de seres vivos em decomposição – petróleo) e o sintético (produzido em laboratório).

No caso da motocicleta, são utilizados óleos minerais e sintéticos, e por sinal… o óleo sintético, desde que seja produzido especificamente para moto, é a melhor opção, pois o momento mais delicado do motor é na partida a frio, quando as peças não estão suficientemente dilatadas e o óleo ainda não atingiu todos os pontos necessários, e nesse momento, o óleo sintético consegue preencher todo o motor até 3 vezes mais rápido que o mineral… bem… mas peraí né…. vamos por partes 😉 rsrsrs

Os lubrificantes que utilizamos  são compostos de:

Essa mistura tem por objetivo atingir a viscosidade necessária, além de satisfazer outras necessidades como auxiliar na refrigeração do motor, limpeza, proteção qto à corrosão, vedação da cãmara de combustão… dentre outras.

Viscosidade e qualidade são os pontos que mais devemos dar atenção, e que estão especificadas na embalagem, mas…por que é importante? A viscosidade é a resistência ao escoamento do produto, quanto mais viscoso menos escorre. Da pra notar bem a diferença né?

A viscosidade do óleo necessário para cada motor está devidamente especificado no manual do fabricante, e na hora da compra está determinado de acordo com a classificação SAE (Sociedade dos Engenheiros Automotivos dos Estados Unidos)

A classificação SAE vai de:

 0 (fino) ————————————————— a 90 (o mais grosso).

Veja alguns exemplos nas embalagens:

Os valores de viscosidade dos óleos são obtidos em laboratório utilizando o Viscosímetro. Quanto maior a temperatura que o óleo é exposto, maior o escoamento, ou seja, ele fica menos viscoso, quanto mais frio… menos escoamento. Com isso, temos os óleos de “inverno” e os de “verão” , justamente devido essa variação de temperatura e sua reação.

Mas se pararmos pra pensar… não tem como ficar trocando o óleo a cada vez que o tempo muda, principalmente com o tempo doido como está. Para resolver isso, inventaram “um óleo” que na verdade é a mistura dos dois, permitindo enfrentar tanto a temperatura fria como quente. Esses óleos possuem duas viscosidades, notou nas imagens acima que alguns óleos tem duas numerações, como 20W50? Com a explicação e exemplos abaixo ficará mais claro, temos então:

  • Óleo monogral: Tem apenas uma viscosidade,viu o SAE 90?

Esse é o óleo mais grosso e mais viscoso, utilizado para engrenagens .

O óleo monogral só pode ser usado onde a temperatura ambiente do local de uso não sofre grandes variações climáticas.

  • Óleo Multiviscoso: Esse é o mais utilizado nas motocicletas, veja a imagem abaixo, consegue notar o 20W50:

Isso quer dizer que é composto de duas viscosidades. O 20W (o w é de winter – frio em inglês) é para a temperatura mais fria, ou seja, 20 é a resistência dele na partida a frio e circulação em baixas temperaturas (lembre-se que a classificação SAE vai de 0 a 90) . O segundo número – 50 – é a classificação para temperaturas quentes, ou seja, quanto mais quente a temperatura, menos viscoso ele é.

Nesse exemplo então, qual é o mais viscoso (grosso)?

O mais viscoso é o 20W – 50, tanto para baixas quanto altas temperaturas, e o menos viscoso (fino) é o 10W-30, deu pra entender?

Como já dito, a viscosidade ideal é informada no manual do fabricante, no caso da Lander o manual fala pra usar o Yamalube 4 SAE 20W-50.

Algumas pessoas, em motos mais antigas, pra diminuir o barulho colocam um óleo mais grosso, mas isso não é nada bom, isso porque sendo mais viscoso que o necessário, o motor terá mais dificuldade em funcionar, precisará de mais força, igual nós quando estamos andando dentro da água, não requer mais força? Isso porque temos a “viscosidade” da água influenciando no nosso movimento, portanto, colocar um óleo mais grosso pode impedir que o óleo chegue ao cabeçote ou outras partes do motor, impedindo a correta lubrificação.

Um detalhe importante é que a viscosidade não determina a qualidade do óleo, para isso temos mais um indicador, o API, conforme a imagem abaixo:

API classifica o óleo segundo o seu desempenho. O S quer dizer que são motores de combustão interna, e a segunda letra, que pode variar de A até M quer dizer que é o mais avançado.

A – mineral puro, não tem aditivos
M – por enquanto o mais avançado tecnologicamente.

Veja que interessante a classificação abaixo, mesmo sendo para carro:

Uma coisa interessante, a Honda até a pouco tempo atrás recomendava o uso do óleo Mobil, que conforme imagem já postada, possui API SF, já o yamalube possui API SL, qual desses é o mais avançado tecnologicamente e o melhor? Pra pensar um pouquinho…

Ahhh uma coisa importante, a parceria com a Mobil é só aqui no Brasil, em outros países a Honda orienta a usar Repsol, que é melhor observar a classificação API tbm:

Boa hein Honda

maaaas eles mudaram recentemente o óleo indicado, e agora sugerem o:

Quanto a qualidade melhoraram um pouco né, agora é o SJ, mas há controvérsias quanto a viscosidade, tem bastante gente reclamando… mas é a orientação.

Esse questionamento é importante, afinal, se a viscosidade não influencia na qualidade, pode se colocar óleo de qualquer marca, desde que respeite a viscosidade? Sim, pode sim, o que varia entre as marcas são os aditivos, mas calma aí, tem mais. pode-se colocar qualquer marca levando em consideração a API tbm? Sim, desde que a classificação API seja igual ou maior do que a recomendada pelo fabricante, por exemplo, em vez de usar o móbil 20W-50 SF recomendado pela Honda,  poderia usar o yamalube 20W-50 SL. Nunca, jamais colocar abaixo da classificação API.

Classificação JASO: Além da classificação API, as embalagens tbm trazem a classificação JASO, que nada mais é do que a classificação feita pelos japoneses, pois a API é pelos americanos. Eles seguem a mesma regras das letras, mas só vai de A até C. Para as motocicletas só deve-se usar a Classificação A

Exemplo:

Mas por que só esse? Simples:

Os aditivos colocados nos óleos tem as seguintes funções:

  • Detergentes – limpeza
  • Dispersante – dispersa a sujeira
  • Antioxidante – não enferrujar
  • Antiespumante
  • … dentre outros.  

Só que alguns óleos, especialmente os de carro, possuem tbm um componente chamado bissulfeto de molibdênio (conhecido tbm como molykote). Esse componente é utilizado para diminuir ainda mais o atrito entre as peças, mas aí surge um problema: A embreagem  PRECISA de atrito, pois os discos trabalham banhados no óleo e precisam realmente de atrito para funcionar, por isso na classificação Jaso, para motocicletas, deve-se usar apenas a classificação MA, que é a única que não possui o bissulfeto de molibdênio.

Ahh só mais uma curiosidade, qdo for trocar, é bom que ele esteja quente, afinal, ficando menos viscoso vai sair todo o óleo sujo 😉 blz?

 
      2. Combustíveis – Gasolina

Embora atualmente exista grandes perspectivas de uma mudança nos “combustíveis” em breve, como o uso das motos elétricas… por enquanto as mais utilizadas ainda são a gasolina ou flex.

Tipos de Gasolina:

  • Tipo A = Gasolina sem adição de álcool (não é comercializada no Brasil)
  • Tipo A Premium = Obtida a partir de uma mistura de Naftas de alta octanagem, o que fornece ao produto maior resistência a detonação

Escrevi uns termos bonitos aí em cima hein rsrs mas vamos esclarecer melhor as coisas, mas vai envolver um pouquinho de química ok:

A gasolina é formada basicamente por Hidrocarboneto (HC), e obtida através da destilação direta do petróleo e seus subprodutos. A molécula dela é C8H10 que quer dizer:

Isso aí que vimos acima é um Octano.

Nafta leve é quando a molécula da gasolina foi obtida desse jeito acima direto do petróleo
Nafta Craqueada é quando as moléculas são maiores que um octano, e aí precisam quebrar para virar gasolina

Octanagem é a resistência que a gasolina tem a auto-ignição (detonação). Lembra-se do ciclo de Otto da aula 1? É quando no momento da explosão a gasolina tem uma maior resistência à detonação espontânea. Um combustível com maior octanagem tem melhor poder de combustão e resiste a altas pressões no interior dos cilindros.

E tudo isso que escrevi então é só pra dizer que: Gasolina tipo A Premium = Obtida a partir de uma mistura de Naftas(moléculas diretas do petróleo ou não) de alta
octanagem (que resiste a explodir sozinha e antes da hora), o que fornece ao produto maior resistência a detonação.

  • Tipo C Comum = É a gasolina comum que se encontra disponível no mercado. Esta gasolina é preparada pelas companhias distribuidoras que adicionam álcool etílico anidro à gasolina tipo A . O teor de álcool na gasolina final atinge até 25 % em volume, conforme prevê a legislação atual. Esta gasolina apresenta uma octanagem no mínimo igual a 80 (MON).
  • Tipo C Premium = É a mesma tipo A Premium só que tbm adicionado até 25 % de alcool anidro. Essa gasolina foi desenvolvida com o objetivo principal de atender aos veículos nacionais e importados de altas taxas de compressão e alto desempenho e que tenham a recomendação dos fabricantes de utilizar um combustível de elevada resistência à detonação.
  • Gasolina Aditivada = As companhias distribuidoras adicionam a uma parte da gasolina do tipo A, comum ou Premium, além do álcool etílico, produtos (aditivos) que conferem à gasolina características especiais. Nesse caso, a gasolina comum passa a ser comercializada como GASOLINA ADITIVADA. A gasolina Premium, quando aditivada continua a ser denominada como gasolina Premium. O aditivo adicionado na gasolina possui, entre outras, características detergentes e dispersantes e tem a finalidade de melhorar o desempenho do produto. Testes efetuados em motores com a gasolina aditivada da PETROBRAS DISTRIBUIDORA demonstraram que o aditivo contribui para minimizar a formação de depósitos no carburador e nos bicos injetores, assim como no coletor e hastes das válvulas de admissão. A GASOLINA ADITIVADA recebe um corante que lhe confere uma cor distinta daquela apresentada pela gasolina comum (a gasolina aditivada BR-SUPRA apresenta cor verde).
  • Algumas montadoras, como a Honda, especificam no manual do fabricante para usar apenas gasolina comum em suas motos. Isso é colocado porque eles não conseguem fazer o teste com todos os tipos de gasolina de todos os países, mas isso é só uma prática da empresa, usar gasolina aditivada não prejudica em nada o motor, ao contrário, como já mencionado os aditivos de detergente é um bom auxílio na limpeza de algumas partes. Aliás, quem só usa gasolina comum e de repente decide começar a usar aditivada… é bom ir com calma, e no começo usar uma proporção de uns 25 % de gasolina aditivada, e depois vai aumentando. A vantagem será, a longo prazo, mais durabilidade ao motor e seus componentes, menos resíduos acumulados, manutenção da limpeza interna de tubulações, bicos e câmara de combustão e ainda produzir menos poluição. E como é de conhecimento geral, um veículo com seu “coração” limpo anda melhor e com mais qualidade.

  • Gasolina Podium = A gasolina podium tem tecnologia semelhante à utilizada na gasolina da Fórmula 1. É na verdade uma gasolina tipo Premium, com características diferenciadas: possui octanagem de 95 unidades (IAD – Índice Antidetonante), menor teor de enxofre (30 ppm) e composição especial que evita o acúmulo de resíduos no motor, além de aditivos que conferem proteção ao mesmo.


    Importante:
    O melhor desempenho desse combustível só será percebido em veículos com alta taxa de compressão, ou no caso dos veículos mais modernos, quando o sistema de mapeamento do motor consegue “enxergar” a gasolina Podium, alterando os parâmetros de funcionamento do motor de modo a obter o melhor desempenho com esse combustível. Ela não é um combustível mais forte ou mais puro, apenas com maior octanagem… mas tbm não danifica se outros motores quiserem usar(desde que não seja 2 tempos), só não vai mudar nada, ou melhor.. vai gastar mais rsrs.

    Por exemplo, a taxa de compressão da Lander é de apenas 9,0, já da Teneré 660 é de 10.0:1, já o de uma GS BMW 1200 é de 12:1, o de uma Hayabusa a partir de 2011 é de 12.5 e assim vai indo… se for maior que 10:1 é considerada alta, se for menor… é de baixa taxa de compressão =/ chato né.

    Importante (de novo): Os motores 2 Tempos possuem excesso de depósitos e o uso de uma gasolina aditivada poderá remover esses depósitos, causando algum tipo de problema, é necessário verificar o manual do proprietário pra saber se pode usar qualquer gasolina mesmo.

    É isso aí, essa foi a segunda aula, interessante né :-)

    Sábado tem mais o/

    Referências:
    Noticias Automotivas
    Petrobras BR

6 comentários sobre “Aula 2: Óleos Lubrificantes e Gasolina

  1. Flávio P Santos

    Noellen foi muito boa sua explicação, agora estou entendendo melhor de óleo e de combústivel. Obrigado por sua grande ajuda, que Deus lhe dê em dobro em tudo que precisar. Continue nos orientando JUNTOS E MISTURADOS, NUNCA ENROLADOS, TENERES EM AÇÃO. hehehehehehe

  2. Dorival Messa

    Sensacional essas matérias, óleo e gasolina são essenciais para a conservação dos motores, sobre o óleo eu já sabia mas sobre a gasolina ainda tinha algumas dúvidas que foram sanadas,valeu mesmo, to no stand by da próxima matéria, vamo que vamo rsrs

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